segunda-feira, abril 21, 2008

Ser arqueólogo - I

1- O que o levou a escolher tal profissão?

Com certeza foi a mistura de ciência e investigação, arqueologia é igual ao CSI (programa de televisão) vc tem que usar vários pedaços para completar um quebra-cabeças, só que sobre coisas que aconteceram ha muitos anos atrás.


2- O que há de positivo e negativo na sua profissão?

Com certeza pelo caráter as vezes dúbio (seria historia ou antropologia?), a arqueologia passa por bons e maus momentos. Acredito que o mais positivo aspecto da arqueologia é o seu produto final, a descoberta arqueológica, que sempre é uma informação nova sobre o conhecimento do passado que nos cerca. Quanto ao caráter negativo, vejo que muita gente, e principalmente a mídia, relacionada a “aventura” da investigação arqueológica com a “aventura” de carregar uma arma ou chicote para um sitio arqueológico, e isto realmente é um aspecto negativo sobre a profissão.


3- Em relação ao salário, quais são as vantagens financeiras?

Como qualquer ciência, não existe vantagem financeira e sim intelectual. Um arqueólogo formado no Brasil geralmente ganha tanto quanto um professor do nível superior, claro que existem níveis abaixo (estagiários) e acima (coordenadores). Mas a media do salário corresponde diretamente com a formação, nível de experiência, e dificuldade do trabalho.



4- As viagens de estudo e pesquisas são todas você quem as seleciona?

Normalmente sim, a arqueologia como ciência precisa ser planejada com antecedência. Primeiro você escolhe uma “questão de estudo”, um problema para ser resolvido (quem foram os primeiros habitantes da América?), e depois seleciona os locais mais prováveis para começar a investigação.

Claro que existem outros casos como os achados fortuitos, onde alguém encontra um material arqueológico e vai ate um museu; ou o que é chamado de “arqueologia de contrato”, onde um arqueólogo é chamado para acompanhar alguma obra ou restauração.

domingo, março 16, 2008

Mercado de trabalho - 2

Para encerrar eu gostaria de dizer que a arqueologia nao é um universo finito, ao contrário, quanto mais arqueólogos se formarem, mais o campo da arqueologia será ampliado.

Para vc entender vou dar dois exemplos, primeiro se cada prefeitura no Brasil tivesse um arqueólogo responsavel por zelar pelo patrimônio arqueológico do município só ai teríamos mais de 5.000 empregos, sem contar as discrepâncias entre tamanho e monumentalidade dos municípios. (São Paulo para Ouro Preto, por exemplo)

Outro exemplo é a respeito do próprio objeto de estudo, o sítio arqueológico; este por mais que não seja um recurso renovável, é extremamente incoerente com a prática arqueológica que seja "esgotado" integralmente em uma única escavação. Ou seja, nós como cientistas que trabalhamos com tempo e espaço, sabemos que em cinco anos melhores técnicas e conseqüentemente pessoas melhor treinadas surgirão, assim um sítio arqueológico nunca deve ser totalmente escavado, (salvo as situações de resgate em obras) sempre permitindo que sua pesquisa seja continuada por gerações futuras de profissionais.

Assim, se sua aflição é sobre o mercado de trabalho o melhor conselho que posso dar é: seja um profissional destacado no que faz. Bom e isso não é uma exclusividade da arqueologia, mas uma regra geral para qualquer profissão que se resolva seguir. Quanto ao campo vc não deve pensar em algo separado do laboratório ou gabinete, mas sim como uma etapa da pesquisa, e a remuneração é sempre correspondente com a quantidade de trabalho que se faz e claro varia conforme sua experiência e/ou formação.

quarta-feira, fevereiro 20, 2008

Mercado de trabalho - 1

O mercado de trabalho em arqueologia é um mercado em franco crescimento, porém pode ser basicamente dividido em duas áreas de atuação para os profissionais recém formados: a arqueologia acadêmica e a arqueologia de contrato.

A arqueologia acadêmica é exercida principalmente nas instituições de pesquisa, centros universitários e museus. Na arqueologia acadêmica o profissional em arqueologia geralmente executa pesquisas de longa duração e ministra aulas tendo assim as mesmas atribuições e remuneração de um professor universitário. O salário de um professor universitário pode variar conforme a instituição (pública ou privada) e conforme a titulação exigida para o cargo: doutorado, mestrado ou especialização.

A arqueologia de contrato é um pouco diferente, exercida principalmente nas empresas especializadas ou de forma autônoma; mas com o apoio de instituições de pesquisa. Na arqueologia de contrato o profissional em arqueologia identifica e resgata o patrimônio arqueológico em áreas que serão impactadas pela implantação de grandes empreendimentos como: estradas, ferrovias, hidrelétricas, loteamentos, etc. A remuneração varia muito conforme o tipo de contrato firmado com o empreendedor, a dificuldade do trabalho, experiência e/ou titulação do profissional.

terça-feira, janeiro 15, 2008

Arqueologia Urbana

A arqueologia urbana mais do que uma arqueologia "na cidade" ou "da cidade", é um fazer arqueológico num campo de pesquisa onde o passado e o presente estão muito próximos, o que ontem era parque hoje virou condomínio, o que ontem era casa hoje virou prédio. Assim a arqueologia urbana não precisa ficar restrita somente aos depósitos arqueológicos, mas explora toda a potencialidade da cidade, incluindo ai edificações e a paisagem (ruas, canteiros, etc).

Porém o que acho interessante na arqueologia urbana não é somente às características de seu objeto de estudo, mas a potencialidade da dinâmica intrínseca do mesmo; onde o tempo não se prende somente em uma exposição diacrônica dos fatos, mas nos oferece também uma continuidade sincrônica no espaço. Assim temos na arqueologia urbana também uma horizontalidade de fatos históricos, onde lado a lado, prédio a prédio, fachada a fachada, se dispõe o passado e o presente.

quarta-feira, dezembro 26, 2007

Para ser arqueólogo ou arqueóloga no Brasil

Muita gente deve ter parado um dia e pensado em ser arqueólogo ou arqueóloga, porém como eu devem também ter perguntado, mas e agora como eu faço? Sinceramente não existe uma receita de bolo para (eu acho) nenhuma profissão, assim o que pode nos guiar é sempre o bom senso e a experiência dos outros.

Como sempre recomendo, e esta foi à minha experiência; Primeiro visite um museu, pois assim vc vai conhecer o resultado final da arqueologia, aquilo à que se destina a pesquisa e na melhor forma em que esta pode ser transmitida ao público; Segundo se vc já completou o ensino médio claro que o caminho natural é a universidade, hoje existem cursos de graduação, especialização, mestrado e doutorado, em arqueologia no Brasil.

No entanto se não existe faculdade de arqueologia próximo aonde vc mora, ou se vc não pode se deslocar para onde tem então outra forma é fazer um curso de preferência em uma área "afim" (historia, geografia, biologia, etc), pois assim mais fácil será sua pós-graduação (especialização, mestrado e doutorado) em arqueologia. Claro que cursos em outras áreas (arquitetura, direito, medicina) também contam, já que a arqueologia é uma ciência absolutamente inter e multidisciplinar.

Porem não é só a teoria que é importante na formação de um futuro arqueólogo ou arqueóloga, mas também a prática. Assim outra dica é procurar também os centros de arqueologia próximos da sua casa para realizar um estágio voluntário. Normalmente a primeira tarefa é sempre em laboratório, lavando e numerando material, pra só depois ir a campo ou uma escavação, mas esta etapa é também interessante e muito necessária.

Aqui neste site tem os principais links das universidades e centros de pesquisa no país:

arqueologiadigital.com


sábado, novembro 24, 2007

Pseudoarqueologia


A Pseudoarqueologia (tipo de pseudociência) ou também conhecida como Arqueologia Fantástica é um apanhado de suposições e achismos completamente desconectados que distorcem, interpretam mal e deturpam a pesquisa arqueológica de uma forma totalmente não científica e absolutamente especulativa. Estas suposições e achismos incluem: alguns exemplos de Arqueologia Bíblica, Pirâmides na Amazônia, Fenícios no Brasil, Atlântida, Mu, entre outros... Sendo praticada principalmente por pessoal leigo e não treinado em arqueologia, como escritores de ficção-científica, gurus esotéricos, e fanáticos religiosos.


O principal argumento do pseudo-cientista é a "teoria da conspiração", onde o conhecimento científico e politicamente manipulado pelos governos para que a sociedade não tenha acesso a uma "verdade escondida", com esta lógica o pseudo-arqueólogo acredita que: 1) todos os cientistas no mundo são conspiracionistas, 2) que só uns poucos "escolhidos" tem total acesso ao conhecimento, 3) papai noel e coelhinho da páscoa não são contos infantis...


O método investigativo deste tipo de construção se baseia na ausência de provas "negativas", ou seja , para o pseudo-cientista a ausência de provas de que algum fato não exista é sua confirmação de que este "possa" existir, assim a imaginação é o limite. Pois se diferentes provas científicas mostram que determinado fato X não pode ter acontecido - pois aconteceram os fatos Y e Z em seu lugar - para o pseudo-arqueólogo isto não importa pois a prova não é sobre o fato X e assim seu argumento se sustenta, porém para a ciência isto importa pois as provas cientificas de terem acontecido o fato Y e Z em lugar do fato X automaticamente anulam o fato X. Desta forma este tipo de raciocínio pseudo-arqueológico não é cientifico, já que, não é o caso de negar a possibilidade de que algo venha a existir, exista ou existiu, mas sim de (eu ainda utopicamente acredito) querer desconhecer o que cientificamente já se sabe.

quarta-feira, novembro 07, 2007

Carbono 14


A datação por Carbono 14 para matéria orgânica foi desenvolvida por Willard Libby em 1949 e é baseada no fato que todos os organismos vivos contém uma pequena mas constante proporção de isótopos ativos de Carbono 14 (C14). Quando o organismo morre o Carbono 14 não é mais reposto pelo meio-ambiente (principalmente o sol) e a quantidade presente na hora da morte começa a decair em uma taxa constante de 50%. A meia-vida do Carbono 14 foi calculada por Libby como sendo de 5.568 anos. Portanto a medição da idade de um vestígio de matéria orgânica pode ser calculado medindo-se a quantidade de Carbono 14 remanescente no objeto. Porém, atualmente a datação por carbono 14 e limitada ate 70.000 anos antes do presente; enquanto para datações mais antigas existem outros métodos como a datação por Urânio ou Potássio-Argônio.


Na arqueologia a datação por Carbono 14 é tida como absoluta, mas também pode ser considerada relativa ou seja e uma forma de medir a data das coisas em relação a uma outra já conhecida como a dendrocronologia ou sobreposição estratigráfica. Quanto a segurança da datação em Carbono 14 o erro aceito hoje é de ±25 anos, mas como é feita esta calibração? Simples medindo a data de vestígios orgânicos com uma idade bem conhecida.

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