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sexta-feira, setembro 19, 2008

Ser arqueólogo - III


10- É permitida a entrada em qualquer lugar ou tem lugares que é preciso uma autorização? Quem deve autorizar?

Sim qualquer pessoa pode visitar um sitio arqueológico, mas claro que acompanhado de um arqueólogo; não só pela preservação do lugar, mas também para explicações sobre.  

11- Pode tirar folga ou férias como na Páscoa, Natal e entre outras?

Sim pode ter folgas ou ferias, porem a maioria das pesquisas de campo na arqueologia ocorre durante as ferias das universidades, em janeiro ou julho.

12- Tem como ficar rico sendo arqueólogo? 

Hahaha, como arqueólogo não, mas garanto que se eu fosse ator de cinema, como um Indiana Jones ou a Lara Croft  já estaria. Outra idéia freqüente é: o que acontece se um arqueólogo encontra um pote de ouro (?); bom primeiro, essa pessoa não seria mais um arqueólogo e sim algum milionário em alguma ilha paradisíaca, e isso “acho” não ocorre.


13- São muitas as viagens durante o ano ou são muito poucas? 

Depende do planejamento das pesquisas, os arqueólogos também têm encontros anuais da profissão e ministram palestras ou cursos em diferentes lugares e em diferentes épocas.


14- Você se orgulha de sua profissão ou se arrepende de algo? 

Orgulho-me sim, apesar de ser quase uma raridade, atualmente no Brasil devem existir somente 500 arqueólogos no pais inteiro(!); é um trabalho importante e desafiador.


15- Existe arte na arqueologia? 

“?”  Arqueologia é uma forma de arte............


*Entrevistado por Naiara Correa

quarta-feira, maio 14, 2008

Ser arqueólogo - II

5- E para trabalhar sozinho o que deve ser feito?

Este é um erro muito freqüente, não existe trabalho individual na arqueologia. Todo o trabalho na arqueologia e feito sempre em grupo (arqueólogos, geólogos, biólogos, historiadores, antropólogos), arqueologia e uma é uma ciência absolutamente inter e multidisciplinar.


6- Para se começar um trabalho assim é preciso consultar um museu ou algo parecido?

Sim sempre, conforme a lei brasileira de proteção do patrimônio arqueológico, somente pode realizar pesquisas arqueológicas os arqueólogos reconhecidos no Brasil e com apoio de uma instituição de pesquisa brasileira (museu, universidade, instituto).


7- Quando se trabalha sozinho as coisas que são encontradas são todas guardadas com você ou são vendidas para um museu.

Primeiro como expliquei antes o arqueólogo não trabalha sozinho; segundo a instituição que apóia a pesquisa e a mesma que fornece o equipamento para o campo, e o laboratório para analise, assim como é a responsável pela guarda e exposição do material arqueológico. E em terceiro, e mais importante, todo material arqueológico no Brasil pertence a União, e NÃO pode ser vendido ou comercializado sob pena de prisão conforme a constituição federal.


8- É preciso cavar lugares fundos ou só o que está a vista?

Depende sempre do tipo de sitio, necessariamente nem sempre o que esta mais embaixo é mais antigo. Por isso e tão importante um correto trabalho de geologia no sitio a ser investigado, e a opinião de outros profissionais especializados em cada área.


9- é preciso posar nos lugares como dentro das pirâmides do Egito e entre outras?

Normalmente sim, o trabalho arqueológico em campo e muito cansativo e demorado, você tem que remover quilos de terra com uma colher de pedreiro ou às vezes com pincel. Um trabalho de campo pode durar anos, mas você não precisa ficar em campo o tempo todo, geralmente e dividido em etapas e intercalado com o trabalho de analise em laboratório.

segunda-feira, abril 21, 2008

Ser arqueólogo - I

1- O que o levou a escolher tal profissão?

Com certeza foi a mistura de ciência e investigação, arqueologia é igual ao CSI (programa de televisão) vc tem que usar vários pedaços para completar um quebra-cabeças, só que sobre coisas que aconteceram ha muitos anos atrás.


2- O que há de positivo e negativo na sua profissão?

Com certeza pelo caráter as vezes dúbio (seria historia ou antropologia?), a arqueologia passa por bons e maus momentos. Acredito que o mais positivo aspecto da arqueologia é o seu produto final, a descoberta arqueológica, que sempre é uma informação nova sobre o conhecimento do passado que nos cerca. Quanto ao caráter negativo, vejo que muita gente, e principalmente a mídia, relacionada a “aventura” da investigação arqueológica com a “aventura” de carregar uma arma ou chicote para um sitio arqueológico, e isto realmente é um aspecto negativo sobre a profissão.


3- Em relação ao salário, quais são as vantagens financeiras?

Como qualquer ciência, não existe vantagem financeira e sim intelectual. Um arqueólogo formado no Brasil geralmente ganha tanto quanto um professor do nível superior, claro que existem níveis abaixo (estagiários) e acima (coordenadores). Mas a media do salário corresponde diretamente com a formação, nível de experiência, e dificuldade do trabalho.



4- As viagens de estudo e pesquisas são todas você quem as seleciona?

Normalmente sim, a arqueologia como ciência precisa ser planejada com antecedência. Primeiro você escolhe uma “questão de estudo”, um problema para ser resolvido (quem foram os primeiros habitantes da América?), e depois seleciona os locais mais prováveis para começar a investigação.

Claro que existem outros casos como os achados fortuitos, onde alguém encontra um material arqueológico e vai ate um museu; ou o que é chamado de “arqueologia de contrato”, onde um arqueólogo é chamado para acompanhar alguma obra ou restauração.

quarta-feira, dezembro 26, 2007

Para ser arqueólogo ou arqueóloga no Brasil

Muita gente deve ter parado um dia e pensado em ser arqueólogo ou arqueóloga, porém como eu devem também ter perguntado, mas e agora como eu faço? Sinceramente não existe uma receita de bolo para (eu acho) nenhuma profissão, assim o que pode nos guiar é sempre o bom senso e a experiência dos outros.

Como sempre recomendo, e esta foi à minha experiência; Primeiro visite um museu, pois assim vc vai conhecer o resultado final da arqueologia, aquilo à que se destina a pesquisa e na melhor forma em que esta pode ser transmitida ao público; Segundo se vc já completou o ensino médio claro que o caminho natural é a universidade, hoje existem cursos de graduação, especialização, mestrado e doutorado, em arqueologia no Brasil.

No entanto se não existe faculdade de arqueologia próximo aonde vc mora, ou se vc não pode se deslocar para onde tem então outra forma é fazer um curso de preferência em uma área "afim" (historia, geografia, biologia, etc), pois assim mais fácil será sua pós-graduação (especialização, mestrado e doutorado) em arqueologia. Claro que cursos em outras áreas (arquitetura, direito, medicina) também contam, já que a arqueologia é uma ciência absolutamente inter e multidisciplinar.

Porem não é só a teoria que é importante na formação de um futuro arqueólogo ou arqueóloga, mas também a prática. Assim outra dica é procurar também os centros de arqueologia próximos da sua casa para realizar um estágio voluntário. Normalmente a primeira tarefa é sempre em laboratório, lavando e numerando material, pra só depois ir a campo ou uma escavação, mas esta etapa é também interessante e muito necessária.

Aqui neste site tem os principais links das universidades e centros de pesquisa no país:

arqueologiadigital.com


quinta-feira, outubro 04, 2007

É arqueologia não arquiologia!


O que é Arqueologia ?

Literalmente a palavra arqueologia quer dizer o "estudo de coisas antigas". Porém o termo arqueologia hoje abarca uma série bem ampla de significados que incluem os vários usos da disciplina em diversas temáticas. Walter Taylor em 1948 disse: “Arqueologia não é nem história nem antropologia. Como uma disciplina autônoma, ela consiste em uma série de técnicas especializadas para a produção de informação cultural.” Porém, para mim arqueologia passa de uma técnica, e constitui um corpo teórico-metodológico em si, com um objeto de estudo bem definido: a cultura material.

Ou seja, Arqueologia é o estudo da materialização da cultura de sociedades passadas através de objetos, estruturas e paisagens.

Operacionalmente a arqueologia tem se tornado uma forma de estudo das sociedades humanas passadas e de seus respectivos meio-ambientes. Através de uma ação de recuperação e análise sistemática da cultura material ou remanescentes físicos destas sociedades. O objetivo primário tem sido encontrar, coletar, analisar e classificar o material arqueológico; depois descrever e interpretar os padrões de comportamento que levaram a sua criação; e finalmente explicar ou desenvolver um entendimento das razões por trás desses comportamentos.


O que é Sitio Arqueológico?

O sitio arqueológico é qualquer lugar de interesse arqueológico onde: objetos, estruturas ou algum produto natural modificado ou manufaturado por humanos é achado. Um sito pode variar desde uma área de coleta de matéria-prima até um espaço de permanência fixa de um grupo.


O que os arqueólogos fazem?

Arqueólogo é quem estuda o passado usando o método arqueológico e no contexto de uma estabelecida teoria arqueológica. Com o objetivo de coletar, interpretar e entender culturas antigas e o que elas produziram.


Texto baseado em: Darvill, Timothy. The Concise Oxford Dictionary of Archaeology, 2003.

sexta-feira, maio 04, 2007

Entrevista

1. O que o levou a escolher essa profissão?

A arqueologia para mim sempre foi uma paixão desde criança, claro que no inicio eu misturava muito com a paleontologia (estudo dos dinossauros) ou mesmo antropologia (estudo do homem). Mas logo que descobri do que se tratava, ou seja, o estudo da cultura material, eu decidi que esta era a coisa que eu melhor sabia fazer no mundo.

2. Qual foi o tipo de faculdade que o senhor cursou e como foi o curso?

Eu cursei a faculdade de licenciatura em historia, o mestrado em gestão do patrimônio cultural, e atualmente estou cursando o doutorado em antropologia nos EUA. A graduação em história foi na faculdade particular FAPA, o curso foi ótimo onde adquiri uma base bem ampla em ciências sociais. Desde o inicio minha intenção sempre foi trabalhar com arqueologia e todos os trabalhos que realizei na graduação foram neste sentido, no mesmo período fui estagiário no Museu J.J. Felizardo da prefeitura de Porto Alegre minha cidade natal. O curso de mestrado foi na Universidade Católica de Goiás, com concentração na área de arqueologia, lá desenvolvi minha dissertação sobre o patrimônio arqueológico histórico brasileiro e cursei matérias tanto voltadas para arqueologia como antropologia. Ao mesmo tempo em que trabalhava no IGPA em resgate de sítios arqueológicos impactados por grandes empreendimentos. Hoje estou cursando doutorado na University of Florida, com minha tese sobre um sitio arqueológico do final do Séc. XIX. O curso além de fornecer uma formação em PhD ou seja, um doutorado nos quatro campos da antropologia americana: Antropologia Cultural, Arqueologia, Lingüística e Antropologia Biológica; também proporciona o contato com inúmeros profissionais, alunos e professores, de todas as partes do mundo.

3. O que o motiva a ser um arqueólogo?

Sem duvida e o caráter investigativo da ciência arqueológica, a possibilidade de descobrir coisas novas e relacionar inúmeras outras para entender o que aconteceu ou acontece com uma sociedade em um determinado lugar ou tempo.

4. Como funciona o trabalho de um arqueólogo brasileiro?

A arqueologia em geral e dividida em dois períodos: o pré-histórico e o histórico. No caso do Brasil esta distinção ocorre pelo tipo de sítios arqueológicos encontrados no território nacional. Os pré-históricos são: os sítios de caçadores-coletores, os sambaquis, e as aldeias dos grupos ceramistas; todos relacionados à ocupação dos indígenas pré-históricos desde “atualmente” 12.000 anos. Os históricos são os sítios arqueológicos decorrentes da ocupação européia do continente, e em combinação ou não com os Africanos e Indígenas depois de 1.500 DC.

5. Qual seria uma estimativa do salário de um arqueólogo e o que o senhor acha dele?

Um arqueólogo formado no Brasil geralmente ganha tanto quanto um professor do nível superior, claro que existem níveis abaixo (estagiários) e acima (coordenadores). Mas a media do salário corresponde diretamente com a formação, nível de experiência, e dificuldade do trabalho.

*entrevistado por Júlio Cezar da Silva Froes

quarta-feira, fevereiro 28, 2007

Icones na Arqueologia


Há alguns anos atrás estávamos iniciando um trabalho em Brasília, para o resgate arqueológico de uns sítios de ocupação pré-histórica na região de Taguatinga, quando encontrei o que para mim é um dos grandes ícones da arqueologia brasileira. Um arqueólogo gaúcho que percorreu o pais inteiro desde a década de 1970 trabalhando em uma imensa quantidade de sítios arqueológicos. O maior momento deste encontro foi quando embarcamos no carro para visitar o sítio e no meio da viagem ele perguntou: Você é arqueólogo? Eu mais que depressa respondi: Sou sim. Mas tal foi minha surpresa quando ele continuou: Que bom, pois eu sou só um aprendiz...

O que eu quero dizer contudo isto? Primeiro que concordo que os ícones podem ser criados, e no caso de um Indiana Jones ou da Lara Croft não são nada mais que isto. Porém eu acho que certos ícones não podem ser reforçados (pirâmides na Amazônia ou fenícios no Brasil) pois eles não contribuem para a arqueologia, mas ao contrario banalizam e ate mesmo ridicularizam o que é um trabalho serio. Mas isto é natural em qualquer profissão (de secretaria a proctologista), e no caso da arqueologia um pouco mais já que: primeiro muitas vezes não é reconhecida como ciência, mas interpretada como hobbie ou como somente técnica; segundo é difícil de ser levada a sério pois não tem uma aplicação pratica direta de seus resultados (como uma engenharia ou medicina) e em terceiro (e para mim a melhor explicação) a arqueologia não e completamente visível, ou seja 90% do seu objeto de estudo esta sempre enterrado e esta e a maior dificuldade em divulgar qualquer coisa...
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