Terça-feira, Agosto 18, 2009
Entrevista IG Educa - Guia de Profissões
A escolha pela profissão correu de uma mistura entre minha curiosidade quase detetivesca na infância, com a maturidade que a pesquisa científica traz para a solução de problemas. Meu primeiro contato com arqueologia ocorreu aos 11 anos quando assisti a um vídeo sobre o trabalho arqueológico no Museu Antropológico do Rio Grande do Sul, fiquei muito interessado sobre o assunto e resolvi estudar mais. Com o tempo procurei sempre orientar minha formação para a arqueologia, logo no primeiro semestre da faculdade me inscrevi em um estágio voluntário no Museu Joaquim José Felizardo de Porto Alegre e depois comecei a participar de escavações e oficinas. A arqueologia sempre ofereceu um campo de investigação novo e instigante, assim acredito que a vontade de fazer algo inusitado e diferente foi o maior propulsor nesta busca.
Como trabalha um arqueólogo?
A primeira etapa de qualquer investigação arqueológica começa sempre pelo planejamento da pesquisa seja ela acadêmica ou emergencial. No caso de uma pesquisa sobre um passado mais recente, incluem-se documentos históricos, entrevistas e imagens antigas. Já uma investigação sobre a pré-história de um local vai estudar desde a reconstituição do meio-ambiente até as fontes de matéria-prima.
Depois o arqueólogo ou arqueóloga vai para o campo coletar seus dados, as pequenas peças de um enorme quebra-cabeça esquecido no tempo e disperso no espaço. Para isso várias técnicas são utilizadas: inicialmente para localização e identificação de sítios arqueológicos na área a ser investigada, e depois para a recuperação dos vestígios através de escavações arqueológicas. Todas estas atividades são exaustivamente documentadas e compõem um enorme acervo de dados para ser trabalhado posteriormente.
A terceira etapa começa com o retorno ao laboratório, o tratamento do material e sua conseqüente análise. Esta etapa pode demorar três ou mais vezes que o tempo gasto em campo, e é aqui que o arqueólogo ou a arqueóloga junta as peças e elabora suas conclusões que vão se transformar em relatórios, dissertações e teses. Mas o trabalho arqueológico não encerra aqui, após a pesquisa existe também muita divulgação dos resultados, e eventualmente até novas pesquisas para confirmar ou refutar hipóteses.
Que profissões interagem com a arqueologia no cotidiano?
O arqueólogo trabalha sempre em equipe, além de estudantes e professores, um grande número de profissionais está envolvido nas pesquisas arqueológicas. Outro elemento hoje cada dia mais presente nas pesquisas arqueológicas é também o público, que visitando sítios e museus participa ativamente da construção do conhecimento.
Na arqueologia interagem desde historiadores, geógrafos, biólogos até antropólogos e arquitetos, cada um contribuindo com sua especialidade. Por ser uma ciência multi- e interdisciplinar a arqueologia sempre se utiliza do conhecimento de outras disciplinas, além é claro do seu próprio, para entender os sítios e vestígios. Assim dependendo da situação, novos profissionais podem se juntar aos pesquisadores, como no caso de uma arqueologia subaquática, etnoarqueologia, arqueologia experimental, etc.
A arqueologia também por seu lado está cada vez mais inserida em diferentes áreas da sociedade além da pesquisa, como a preservação do patrimônio cultural ou mesmo a educação patrimonial. Os resultados da pesquisa arqueológica além de informarem sobre algo que antes era pouco e nem mesmo conhecido, ajudam a formar coleções de referência para novos estudos e acervos que vão ensinar sobre o passado de todos nós.
Onde estão as melhores oportunidades? É preciso sair do país para qualificação?
Hoje o Brasil conta com vários cursos de graduação em arqueologia e inúmeras pós-graduações (espacializações, mestrados e doutorados), distribuídas pelo país. Mesmo que número de arqueólogos profissionais ainda seja pouco expressivo frente à riqueza e diversidade do patrimônio arqueológico brasileiro, o país possui um grupo atuante e não é desprovido de uma legislação específica sobre o assunto.
A formação do profissional em arqueologia no Brasil tem se tornado cada vez mais completa, porém as diferentes instituições ainda oferecem um leque de especificidades restrito ao seu corpo de pesquisadores. E o conhecimento que se tem sobre a potencialidade do patrimônio arqueológico brasileiro é um mero ensaio frente à realidade enfrentada.
A arqueologia no Brasil é um campo em plena expansão, mas é claro que uma qualificação no exterior sempre trás uma diferença. Assim um bom caminho é ainda uma formação com amplo conhecimento local e regional e depois um aprofundamento em nível nacional ou mesmo internacional.
Filmes como Indiana Jones colaboram ou prejudicam a imagem dos profissionais?
Colaboram na divulgação, pois a arqueologia é vista pelo seu lado romântico e aventureiro o que desperta a curiosidade e instiga a vontade das pessoas de conhecer mais sobre o fazer arqueológico, ou mesmo sobre o seu próprio passado. Porém, por outro lado filmes, jogos ou ficções também prejudicam o trabalho sério e meticuloso do pesquisador, no momento que exageram e fantasiam os profissionais ou mesmo a profissão. Desta forma o melhor é sempre procurar conhecer mais a ocupação através de literatura especializada, como bons livros introdutórios sobre arqueologia.
Que dicas você deixaria aos interessados em seguir a formação?
Estudar sempre, pois além do treinamento acadêmico o arqueólogo deve ser um investigador por natureza e para isso, sucessivamente procurar desvendar coisas novas, ao mesmo tempo em que trabalha para avançar no que já se sabe.
* Entrevistado por Rodrigo Storino
Quinta-feira, Novembro 13, 2008
Usos e Abusos da Arqueologia
A historia é sobre um fantástico conjunto de ruínas intitulada Great Zimbabwe no sudoeste africano e sua significação. Os primeiros exploradores portugueses que encontraram estas ruínas em 1600DC imediatamente acharam que a existência de algo tão espetacular no meio da África não era nada menos do que as ruínas do palácio do Preste João, (ou rei Salomão) citado na bíblia. Esta explição perdurou até 1891, quando em pleno contexto de ocupação européia da África um explorador inglês chamado Cecil Rhodes atribuiu a construção das ruínas aos fenícios, que teriam ocupado o local e criado algum tipo de doca (ops...acho que já ouvi esta estória no Brasil tbm).
Bom, mas o que estas duas “explicações” tem em comum? Simples nenhuma delas levou em consideração que a construção do Great Zimbabwe podia ter sido obra dos povos locais, que afinal de contas já estavam por ali à bastante tempo. Mas se utilizavam de estereótipos para formular uma explicação que confirmasse a ocupação europeia no local. Porém em 1980 os arqueólogos identificaram que estas ruínas foram construídas por volta de 800 DC e tratavam-se de um grande centro comercial até 1600DC (coincidência?); e hoje estas ruínas são tidas como o maior patrimônio de onde? do próprio Zimbabwe que inclusive as utiliza na sua bandeira.
Sexta-feira, Setembro 19, 2008
Ser arqueólogo - III
10- É permitida a entrada em qualquer lugar ou tem lugares que é preciso uma autorização? Quem deve autorizar?
Sim qualquer pessoa pode visitar um sitio arqueológico, mas claro que acompanhado de um arqueólogo; não só pela preservação do lugar, mas também para explicações sobre.
11- Pode tirar folga ou férias como na Páscoa, Natal e entre outras?
Sim pode ter folgas ou ferias, porem a maioria das pesquisas de campo na arqueologia ocorre durante as ferias das universidades, em janeiro ou julho.
12- Tem como ficar rico sendo arqueólogo?
Hahaha, como arqueólogo não, mas garanto que se eu fosse ator de cinema, como um Indiana Jones ou a Lara Croft já estaria. Outra idéia freqüente é: o que acontece se um arqueólogo encontra um pote de ouro (?); bom primeiro, essa pessoa não seria mais um arqueólogo e sim algum milionário em alguma ilha paradisíaca, e isso “acho” não ocorre.
13- São muitas as viagens durante o ano ou são muito poucas?
Depende do planejamento das pesquisas, os arqueólogos também têm encontros anuais da profissão e ministram palestras ou cursos em diferentes lugares e em diferentes épocas.
14- Você se orgulha de sua profissão ou se arrepende de algo?
Orgulho-me sim, apesar de ser quase uma raridade, atualmente no Brasil devem existir somente 500 arqueólogos no pais inteiro(!); é um trabalho importante e desafiador.
15- Existe arte na arqueologia?
“?” Arqueologia é uma forma de arte............
*Entrevistado por Naiara Correa
Quarta-feira, Maio 14, 2008
Ser arqueólogo - II
5- E para trabalhar sozinho o que deve ser feito?
Este é um erro muito freqüente, não existe trabalho individual na arqueologia. Todo o trabalho na arqueologia e feito sempre em grupo (arqueólogos, geólogos, biólogos, historiadores, antropólogos), arqueologia e uma é uma ciência absolutamente inter e multidisciplinar.
6- Para se começar um trabalho assim é preciso consultar um museu ou algo parecido?
Sim sempre, conforme a lei brasileira de proteção do patrimônio arqueológico, somente pode realizar pesquisas arqueológicas os arqueólogos reconhecidos no Brasil e com apoio de uma instituição de pesquisa brasileira (museu, universidade, instituto).
7- Quando se trabalha sozinho as coisas que são encontradas são todas guardadas com você ou são vendidas para um museu.
Primeiro como expliquei antes o arqueólogo não trabalha sozinho; segundo a instituição que apóia a pesquisa e a mesma que fornece o equipamento para o campo, e o laboratório para analise, assim como é a responsável pela guarda e exposição do material arqueológico. E em terceiro, e mais importante, todo material arqueológico no Brasil pertence a União, e NÃO pode ser vendido ou comercializado sob pena de prisão conforme a constituição federal.
8- É preciso cavar lugares fundos ou só o que está a vista?
Depende sempre do tipo de sitio, necessariamente nem sempre o que esta mais embaixo é mais antigo. Por isso e tão importante um correto trabalho de geologia no sitio a ser investigado, e a opinião de outros profissionais especializados em cada área.
9- é preciso posar nos lugares como dentro das pirâmides do Egito e entre outras?
Segunda-feira, Abril 21, 2008
Ser arqueólogo - I
1- O que o levou a escolher tal profissão?
Com certeza foi a mistura de ciência e investigação, arqueologia é igual ao CSI (programa de televisão) vc tem que usar vários pedaços para completar um quebra-cabeças, só que sobre coisas que aconteceram ha muitos anos atrás.
2- O que há de positivo e negativo na sua profissão?
Com certeza pelo caráter as vezes dúbio (seria historia ou antropologia?), a arqueologia passa por bons e maus momentos. Acredito que o mais positivo aspecto da arqueologia é o seu produto final, a descoberta arqueológica, que sempre é uma informação nova sobre o conhecimento do passado que nos cerca. Quanto ao caráter negativo, vejo que muita gente, e principalmente a mídia, relacionada a “aventura” da investigação arqueológica com a “aventura” de carregar uma arma ou chicote para um sitio arqueológico, e isto realmente é um aspecto negativo sobre a profissão.
3- Em relação ao salário, quais são as vantagens financeiras?
Como qualquer ciência, não existe vantagem financeira e sim intelectual. Um arqueólogo formado no Brasil geralmente ganha tanto quanto um professor do nível superior, claro que existem níveis abaixo (estagiários) e acima (coordenadores). Mas a media do salário corresponde diretamente com a formação, nível de experiência, e dificuldade do trabalho.
4- As viagens de estudo e pesquisas são todas você quem as seleciona?
Normalmente sim, a arqueologia como ciência precisa ser planejada com antecedência. Primeiro você escolhe uma “questão de estudo”, um problema para ser resolvido (quem foram os primeiros habitantes da América?), e depois seleciona os locais mais prováveis para começar a investigação.
Claro que existem outros casos como os achados fortuitos, onde alguém encontra um material arqueológico e vai ate um museu; ou o que é chamado de “arqueologia de contrato”, onde um arqueólogo é chamado para acompanhar alguma obra ou restauração.
Domingo, Março 16, 2008
Mercado de trabalho - 2
Para vc entender vou dar dois exemplos, primeiro se cada prefeitura no Brasil tivesse um arqueólogo responsavel por zelar pelo patrimônio arqueológico do município só ai teríamos mais de 5.000 empregos, sem contar as discrepâncias entre tamanho e monumentalidade dos municípios. (São Paulo para Ouro Preto, por exemplo)
Outro exemplo é a respeito do próprio objeto de estudo, o sítio arqueológico; este por mais que não seja um recurso renovável, é extremamente incoerente com a prática arqueológica que seja "esgotado" integralmente em uma única escavação. Ou seja, nós como cientistas que trabalhamos com tempo e espaço, sabemos que em cinco anos melhores técnicas e conseqüentemente pessoas melhor treinadas surgirão, assim um sítio arqueológico nunca deve ser totalmente escavado, (salvo as situações de resgate em obras) sempre permitindo que sua pesquisa seja continuada por gerações futuras de profissionais.
Assim, se sua aflição é sobre o mercado de trabalho o melhor conselho que posso dar é: seja um profissional destacado no que faz. Bom e isso não é uma exclusividade da arqueologia, mas uma regra geral para qualquer profissão que se resolva seguir. Quanto ao campo vc não deve pensar em algo separado do laboratório ou gabinete, mas sim como uma etapa da pesquisa, e a remuneração é sempre correspondente com a quantidade de trabalho que se faz e claro varia conforme sua experiência e/ou formação.
Quarta-feira, Fevereiro 20, 2008
Mercado de trabalho - 1
A arqueologia acadêmica é exercida principalmente nas instituições de pesquisa, centros universitários e museus. Na arqueologia acadêmica o profissional em arqueologia geralmente executa pesquisas de longa duração e ministra aulas tendo assim as mesmas atribuições e remuneração de um professor universitário. O salário de um professor universitário pode variar conforme a instituição (pública ou privada) e conforme a titulação exigida para o cargo: doutorado, mestrado ou especialização.
A arqueologia de contrato é um pouco diferente, exercida principalmente nas empresas especializadas ou de forma autônoma; mas com o apoio de instituições de pesquisa. Na arqueologia de contrato o profissional em arqueologia identifica e resgata o patrimônio arqueológico em áreas que serão impactadas pela implantação de grandes empreendimentos como: estradas, ferrovias, hidrelétricas, loteamentos, etc. A remuneração varia muito conforme o tipo de contrato firmado com o empreendedor, a dificuldade do trabalho, experiência e/ou titulação do profissional.
